Queria sentir teu cheiro todas as noites antes de dormir. Queria
sentar lá no alto da montanha e me deparar com o sol iluminando todas as
tardes. Queria te ver novamente e entre teu sorriso, ver os teus olhos
brilhando pra mim. Era tão monótono que se perdeu ao meio de um dia qualquer.
As palavras entraram como uma faca e me fizeram com que
perdesse a razão de estar todo pensamento jogado a ti. Saberia de todos os
defeitos do mundo, de todas as arestas e de todos os dias que pensamos juntos. Era
mais que a madrugada vazia. Era tão bonito aquele ar que me fazia não voltar
atrás.
E foi mais que o tempo que levou pra jogar fora todos os
acontecimentos ruins que cercara esta estrada. Eu te dei a mão tantas vezes,
tantos momentos e hoje vejo em ti a sede de separar o que era pra sempre. Copiar
as nossas atitudes e joga-las não no chão, mas ao vento para que outros ares a
peguem, e a historia se repita na folha de qualquer outro papel.
Era uma promessa vazia, que aos poucos foi naufragando com a
dor da verdade. E não te escrevo não mais. Não pela raiva, pois não cabe em mim
tê-la em meus pensamentos. Eu te quis todo o instante e tu mal percebeste. Era a ultima vez que eu te gritei, a garganta
já sangra e não vejo motivo pra sofrer a te chamar.
Pedi um segundo de atenção, e lá estava eu na sede de chorar
entre tuas palavras. Eu escrevi tanto tempo tentando voltar ao começo, mas
nunca voltei. Eu não quero mais ser essa canção sem nota alguma.
Volte a ser o meu ar.
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